Setor de serviços em alta.

Setor de serviços em alta.

Por Wanda Oliveira

O setor econômico relacionado aos serviços nunca esteve tão em alta no Brasil como agora. Em Goiás, não é diferente. Este tipo de mercado representa 60% em produção de riqueza. E não é só isso. Em 2012, juntos, os setores de comércio e serviços foram responsáveis por quase 65 mil novas vagas de emprego no Estado, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados no início de outubro deste ano.

De olho na expansão do setor de serviços, quem investe no ramo da beleza não se arrepende. Não à toa, o Brasil é o terceiro maior mercado neste segmento do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

Por isso, cuidar da imagem, ou melhor, da beleza, deixou de ser uma questão de vaidade para se tornar um negócio lucrativo e promissor. A cabeleireira Ana Lúcia Correia, 37, decidiu abrir o próprio empreendimento, em 2006, após trabalhar, por mais de uma década, em alguns salões de Goiânia. 

Ela conta que trocar a função de empregada por patroa foi uma decisão difícil, que exigiu muita força de vontade, mas que valeu a pena graças ao planejamento e organização. "Tem certo momento da vida que a gente precisa arriscar, perder o medo, e eu fiz isso. Hoje, ganho quase cinco vezes mais do que ganhava quando funcionária", conta. 

Ana Lúcia associa a boa renda, de hoje, a uma série de investimentos no salão, mas sempre pensando, primeiramente, nas clientes. "Faço promoções, procuro atender da melhor maneira possível quem nos procura e também me qualificar, estar atenta às novidades do mercado."

A cabeleireira tem uma equipe de três profissionais, sendo um deles o irmão dela, que a incentivou a montar o próprio negócio. Em média, Ana Lúcia atende dez mulheres por dia no espaço. Ela ressalta que, graças à atividade que exerce, hoje, consegue sustentar as duas filhas e ajudar em parte nas despesas de casa.

Segundo o presidente do Sindicato dos Proprietários de Barbearias, Institutos de Beleza e Afins do Estado de Goiás (Sindibeleza), Marcelino Vitor Lucena, o mercado da beleza cresce em torno de 20% a 30%, ao ano, em Goiás. Ele explica que este mercado sempre foi ativo, mas que outro fator importante tem chamado a atenção dos proprietários desses espaços: a presença de homens em busca de serviços antes procurados só pelas mulheres. Na Capital, existem atualmente cerca de 10 mil salões de beleza e estética. 

De acordo com o Sindibeleza, o setor emprega aproximadamente 30 mil pessoas em Goiânia e possui uma média de três funcionários por salão. Já no Estado, o número de salões chega a 70 mil. A maior parte desses centros é de médio e pequeno portes. Lucena avalia como positiva a expansão dos salões de beleza em Goiás e atribui esse avanço ao nível de qualificação dos profissionais, que melhorou de maneira significativa nos últimos anos. 

"Hoje, temos no Estado oito faculdades com curso superior na área de beleza e Goiás é o único Estado do Brasil que tem curso gratuito em Tecnologia, Estética e Cosmética. Isso tem despertado e muito o interesse, principalmente dos jovens, para que procurem esse setor."

O presidente do Sindibeleza destaca que uma das maiores dificuldades do setor é quanto ao lançamento constante de novos produtos. Esse crescimento tem impedido, às vezes, que os profissionais se ausentem do trabalho para se qualificar. "Com a globalização, a informação está chegando muito rápido ao cliente e, às vezes, os proprietários de salões não têm tempo para acompanhar essa demanda."

PIB 

O setor de serviços compõe a área terciária da economia, assim como o comércio. Juntos, esses dois setores geram a maior demanda de empregos, bem como são responsáveis por 60% do Produto Interno Bruno (PIB) do Estado, segundo o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), José Evaristo dos Santos. 

Ele explica que esse segmento gera muitos postos de trabalho porque é muito diversificado e abrange vários ramos, como nas áreas de tecnologia da informação, artesanato, beleza e cosméticos, segurança, telemarketing e prestadores de serviços.

"É um setor que trabalha com mão de obra. Não é um transformador de matéria-prima", diz. O setor de serviços oferta, em média, três mil novas oportunidades de empregos por mês em Goiás, de acordo com a Fecomércio. Segundo José Evaristo, mesmo com essa demanda crescente por profissionais, faltam pessoas capacitadas para ocupar tantas vagas. 

Por isso, há empresas, conforme ele, que oferecem cursos de qualificação para os novos contratados ou funcionários. "Temos dificuldades para encontrar bons profissionais porque em todas essas áreas existe carência humana, por isso as empresas precisam complementar com essa qualificação", diz Santos.

QUALIFICAÇÃO 

Mais do que aumentar o número de clientes, o mercado da beleza exige, antes de tudo, profissionais especializados. O presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos, ressalta que os donos de salões e clínicas de estética precisam estar qualificados para atender o seu público.

Essa exigência serve para autônomos e liberais, que hoje representam parte significativa dos donos de salões de beleza no Estado. "Esses profissionais precisam ter muito cuidado com o uso de produtos em seus estabelecimentos, para evitar ações de clientes na Justiça. Por isso, só ter conhecimento não basta. É preciso qualificação."

Profissional planejado não fecha as portas, diz analista

Goiânia já tem 2.923 salões de beleza abertos somente por microempreendedores individuais (MEI), que são os pequenos salões tocados inicialmente por uma única pessoa. O número de MEI, se associados aos congêneres, como manicures e pedicures, chega a 982 empreendedores, totalizando mais de 3,9 mil estabelecimentos formalizados nesta área de beleza pessoal, de acordo com o analista do Sebrae-GO, Israel Witicovski. 

Segundo ele, o que se pode constatar junto à Associação dos Profissionais da Beleza de Goiás (Aprobeleza) é que a maioria destes pequenos empreendedores necessita de mais qualificação. Isso significa que eles têm a prática, mas não se preocupam em melhorar a gestão do seu negócio. “Estatísticas avaliam que o potencial empresário que abre o seu negócio de forma planejada tem um menor índice de fechar as portas.”

Witicovski orienta a quem quer entrar neste mercado, além de realizar cursos especializados, não deve se esquecer de fazer uma visita ao Sebrae, para a realização de um Plano de Negócios para verificar a viabilidade do seu empreendimento.  “Não tem como o profissional da beleza oferecer um serviço de qualidade somente pela parte prática, tem que ter qualificação para agregar valores aos seus clientes.”

Espaço dedicado às crianças 

Só para confirmar o crescimento do setor, até as crianças ganham atendimento personalizado em alguns salões de beleza da Capital. No salão Pirralhos, os profissionais fazem questão de manter um bom relacionamento com os clientes.

"Sabemos o nome da criança, o dia do aniversário dela e quantos irmãos ela tem. Isso é muito importante porque os clientes são especiais e eles sabem disso", afirma a proprietária da marca Pirralhos, Beatriz de Barros Barreto. 

Há 30 anos no mercado, Beatriz decidiu inovar um pouco mais neste segmento destinado ao público infantil. Ela vai transformar a marca Pirralhos em uma franquia, por acreditar que o trabalho e o conhecimento dela irão contribuir para a expansão dos serviços.

Atualmente, Beatriz analisa 26 propostas de expansão da marca. Ela diz que entre os diferenciais da Pirralhos estão a humanização e a diversão. "Cortar cabelo não precisa ser uma tarefa chata. Durante o corte, são realizadas várias atividades para manter a criança distraída enquanto o serviço é feito, como leitura de historinhas e jogos com brinquedos."

Em média, 15 crianças são atendidas por dia no salão, que é unissex. Beatriz atua sozinha como cabeleireira, mas já trabalha para ampliar esse atendimento com novos profissionais que estão em treinamento. Por outro lado, ela considera preocupante a falta de pessoas qualificadas para lidar com esse público infantil, que deve ter tratamento totalmente diferenciado do atendimento adulto. "A fama do Pirralhos é de tirar traumas vindos de experiências anteriores e ter atendimento para crianças especiais", diz.