Planta acompanha Pirralhos desde o início

Planta acompanha Pirralhos desde o início

A FLOR BRANCA E CHEIROSA (nome científico: Dracaena Massangeana)

 

Ei! Oi...

Psiu, sou eu aqui atrás, à esquerda de você.

Opa, ela quase me viu!

Vou balançar minhas folhas compridas que parecem braços.

Quem sabe assim ela me vê?

Ela olhou pra mim, com aqueles olhos castanhos enormes, mas achou que era o vento, balançando as minhas folhas.

Sabe menininha, queria de contar uma história.

Nem sempre eu morei aqui nesse jardim, cheio de plantas, flores e frutas... tem até uma mangueira, você viu? Muitas crianças aparecem aqui todos os dias, elas vêm brincar. Muitas vezes eu recebo até um carinho no meu caule.

Quando eu era bem pequeninha, em 1983, fui morar dentro de um vaso verde com água. Minha primeira casa, no Pirralhos.

Ficava enfeitando uma mesa de vidro na sala de espera. De lá observava tudo: crianças entrando e crianças saindo. Era divertido...

No quintal, muitos coelhos faziam a alegria da criançada! Você já viu um coelho de verdade?

Quatro anos depois fui morar uma sala, em um prédio comercial. Os coelhos não puderam ir, que pena! Lá, vivi no vaso verde, só que na terra e no alto, em cima de uma geladeira.

De lá, observada tudo e acompanhava alegre todas as histórias das crianças.

Assim fui crescendo. Cresci tanto, que precisei mudar outra vez.

Fui para um vaso grande com bastante terra e na sacada de um apartamento.

Pegava sol pela manhã, brisa fresca à noite, e até a visita da lua.

No meu novo lugar vivi as alegrias e as tristezas de uma família - mãe, pai e três filhos.

Que delícia...

Mas em maio de 2010, com 27 anos, floresci. Isso mesmo.

Minha primeira flor foi para presentear e festejar o nascimento de uma menininha.

Enchi a sacada e todo o apartamento de perfume. Mas só à noite, para alegrar ainda mais os corações dos moradores que estavam sempre em casa naquela época.

Quando a menininha fez dois anos, floresci novamente para agradecer suas visitas diárias. Sempre me dando um alô. E matando a minha sede, com pequenas porções de água.

Agora é assim, todos os anos no aniversário da garotinha de cabelos castanhos eu trago flores e perfume.

Ah, esqueci de falar que agora moro aqui no quintal da casa Pirralhos.

É você, Geovana !

A neta para quem eu brotei minha primeira flor branca e para quem todos os anos no seu aniversário libero mais uma flor perfumada.

E a menina que brincava distraída na casa de bonecas de repente levantou com um baldinho nas mãos e foi até a torneira. Encheu o balde de água limpa e fresca. Caminhou até a planta de folhas compridas e jogou água devagarinho em seu pé, como fazia antes, quando era bem pequena.

Foi como se ela estivesse escutado a história e se lembrasse da amiga planta, de flor branca rara e cheirosa..

Texto: Beatriz de B Barreto Tanezini e Katia de B Barreto Pereira

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