E se eu tiver um filho especial?

E se eu tiver um filho especial?

Durante a nossa infância e adolescência enfrentamos diversos desafios na vida, muitos deles de ordem interna, em processos que não temos conhecimento, mas, que ocorrem de acordo com o amadurecimento do corpo, outros são de ordem externa, podendo ser perceptíveis e mensuráveis, como por exemplo nosso comportamento, o aprendizado motor, da fala, entre outros.

O amadurecimento da criança e seu desenvolvimento não segue um padrão único, pois, cada criança tem seu tempo de aprendizado e amadurecimento, sendo inclusive influenciada pela forma como os adultos se relacionam com ela, nos aspectos qualitativos e quantitativos. Nesse processo de amadurecimento e crescimento, o contato dos adultos é essencial, as crianças experimentam o mundo e necessitam de acolhimento e aceitação, para se sentirem seguras de expressarem verdadeiramente sua criatividade, favorecendo o aprendizado.

Para as crianças que são muitas vezes consideradas pelo senso comum de “normais”, a aceitação e o acolhimento acaba sendo um processo natural, porém, para as crianças especiais isso pode ser mais difícil. A proximidade dos pais no desenvolvimento de seus filhos é essencial, podendo assim oferecer um tratamento específico, caso necessário. Toda doença que é diagnosticada e tratada no começo, faz com que aumentem as chances de recuperação e melhora.

Infelizmente ainda encontramos uma realidade diferente da esperada, muitos pais podem apresentar receio em buscar tratamento para seu filho com necessidades especiais, se sentindo envergonhados por não terem um filho comum, outros culpabilizam a criança pelo mau comportamento, patologizando seus filhos diante de comportamentos que podem ser naturais e esperados. No passado essas informações não eram tão disponíveis quanto atualmente, porém, cabe aos pais sempre buscar ajuda aos seus filhos, para favorecerem o desenvolvimento de suas potencialidades, independente das limitações que possam apresentar.

Ser especial não significa anormalidade, uma criança especial é capaz de aprender e interagir com outros, dentro de suas limitações. Mesmo crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo, que apresentam déficits nas interações sociais, aprendem a se comunicar com outras pessoas, apesar de poderem apresentar alguma sensibilidade sensorial elevada. O aprendizado ocorre de forma mais lenta, porém, existem técnicas e métodos específicos para lidar com crianças que apresentam esse transtorno, melhorando a comunicação e ajudando na construção de conhecimento.

Outra condição permanente de algumas crianças é a Síndrome de Down, causada por uma alteração genética. Diferente do autismo, essa síndrome pode ser diagnosticada através de alterações físicas como: olhos com uma leve inclinação lateral, cabeça um pouco menor que o comum, orelhas pequenas e ligeiramente baixas, contorno achatado do rosto, boca pequena, entre outros. A criança diagnosticada com essa síndrome necessita de mais atenção, pois, sofre risco maior em desenvolver algumas doenças: problemas cardíacos congênitos, problemas respiratórios, refluxo, infecções no ouvido, apneia e disfunções da tireoide. As crianças com essa síndrome possuem hipertonia muscular, atrasando assim seu desenvolvimento motor, devendo ser estimuladas e encorajadas à praticarem atividades físicas adequadas para a idade, para que seus músculos se firmem, evitando a princípio esportes violentos.

Oferecendo a atenção e os cuidados necessários para os seus filhos, é possível que desenvolvam uma relação positiva e construtiva. Mesmo apresentando limitações, todos os seres humanos, adultos, crianças, idosos, desejam aceitação e pertencimento. Todas as pessoas são diferentes, não existe ninguém igual a você no mundo, portanto, é normal ser diferente, só não é comum continuar na desinformação. Segundo Albert Einstein, uma mente que se abre para uma nova ideia, nunca retorna ao seu tamanho original.

Por Alex Leite - Psicólogo

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